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"JeepⓇ é liberdade, porque é o carro que leva qualquer pessoa a qualquer lugar"


Jeep Day 2019 reúne apaixonados e especialistas em São Paulo, para celebrar o espírito 4x4

12 de abril de 2019 - “Todas as boas lembranças que eu tenho na memória tem um Jeep envolvido”, diz o fabricante de acessórios para off-road Leonardo Almeida, de 47 anos, mostrando a tatuagem com a marca Jeep no braço esquerdo, que se deu de presente no aniversário de 40 anos. A paixão reaparecia estampada na pele, no olhar ou na memória de todos os fãs que se encontraram na Hípica Santo Amaro, em São Paulo, em mais um Jeep Day, a data internacional comemorada em 4 de abril, o Dia 4x4.

Leonardo conta que na infância, acompanhava o avô nos trabalhos da fazenda montado nos latões de leite que ele levava na traseira do Jeep da família. Eram momentos especiais, compartilhados apenas entre os dois. Quando completou 12 anos, mesmo sem dirigir, Leonardo ganhou de presente de aniversário a carteirinha do Jeep Clube do Brasil, onde sempre buscou consultoria técnica para reformar os mais de 20 modelos que já teve. “Lá eu conheci algumas lendas do off-road brasileiro, fiz amigos que tenho até hoje e até escolhi meus padrinhos de casamento. É uma história que não tem como separar de mim, assim como um filho. É por isso que a marca veio parar no meu braço”, diz.

Entre os amigos do Jeep Clube do Brasil está Nelson Almeida, 67 anos, nada menos do que o fundador da associação. Diferentemente de Leonardo, a história de Nelson com a Jeep começou mais tarde, quando ele tinha 22 anos e estava em busca do seu primeiro carro. Com pouco dinheiro disponível, acabou comprando um Willys MB 1944 (na foto abaixo), o primeiro Jeep, em uma sucata do exército. Era 1974, época em que havia uma adoração por bugues e Nelson decidiu transformar o seu Jeep clássico em um desses modelos. Mas um livro mudou toda a história.


“Para reformar o Jeep eu comprei um livro que era um fascículo de uma coleção sobre a Segunda Guerra Mundial que só falava do Willys MB. Aquilo me fascinou e eu percebi que tinha um daqueles carros nas mãos. Foi quando decidi deixá-lo como era originalmente. E então, a pressa em ter o carro acabou, pois levei dois anos para terminar a restauração”, conta Nelson, rindo.

Nesse período foi conhecendo gente que também gostava de Jeep e transformava isso em um estilo de vida, alinhando aventura, paixão e companheirismo. Foi quando decidiu fundar o clube. “O lançamento foi durante o Salão do Automóvel de 1981, no prédio da Bienal do Parque do Ibirapuera. Foi assim que começou oficialmente o 4x4 no Brasil”, conta Nelson. Os convidados do Jeep Day em São Paulo puderam ver de perto o antigo Jeep de Nelson, que agora pertence a um colecionador.


Um pouco de tudo

Outra raridade exposta foi a imponente Rural 1972 do empresário Fernando Cury, de 54 anos, que no dia a dia administra sua rotisserie de comida árabe. O carro é parte de sua família desde que seu pai o retirou, novinho em folha, da concessionária. Totalmente restaurada, a Rural (na foto acima) virou item de exposição, ao lado de um Jeep Willys 1954 e outro 1965, que Fernando também usa no dia a dia. Ele admite que tem “carros de plástico” como chama, com bom humor, os veículos atuais. “Mas só uso em dias de chuva”, afirma. “Preciso preservar meu Jeep!”

Enquanto apreciavam os carros expostos e ouviam as histórias dos ‘lovers” da Jeep, os convidados se dividiam entre um test drive off-road com toda a linha Jeep e um circuito fora de estrada em miniatura. Teve gente, inclusive, que achou mais difícil dirigir os carrinhos de controle remoto 4x4 na minitrilha (foto abaixo) do que os veículos reais. Eles também tiveram o gostinho de conhecer a nova geração do Wrangler e as séries especiais Renegade Willys e Compass S, lançados durante o evento.


No estande da marca de acessórios Mopar, o artista plástico Conrado Almada ilustrava desenhos do Jeep Wrangler ao gosto do convidado. Os pedidos iam do nome do filho a gravuras camufladas. O mais inusitado, conta o artista, foi uma ilustração inspirada em Frozen, filme infantil da Disney. E, assim, como a Mopar faz nos carros reais, o pedido também foi atendido.

A jornalista Karina Simões, de 34 anos, chegou ao evento dirigindo seu Jeep Willys 1951 que ganhou do pai quando tinha apenas dois anos. Ela conta que desde então, Toninho Simões, de 62 anos – como é conhecido entre os jipeiros – fez várias reformas no modelo. “A última, inclusive, ele acabou a tempo de eu vir ao evento e por isso ainda precisa de alguns ajustes”, conta Karina. Escrevendo sobre o sobre o setor automotivo. Karina conta que deixou as trilhas um pouco de lado “por absoluta falta de tempo”, garante, rindo. Diz que enquanto não consegue voltar, anda com seu Jeep pela cidade. Ela também adora relembrar a participação que fez, a convite da Jeep, naquele que é considerado o “templo” do off road mundial: o circuito na cidade de Moab, nos Estados Unidos, em 2015. “a cidade é a meca do off road. foi fantástico”, resume.


João Barone, baterista do Paralamas do Sucesso e jeepeiro apaixonado também estava por lá. Desta vez subiu ao palco (foto acima) para contar suas aventuras sobre seu Jeep Willys MB 1944, modelo semelhante ao que o pai dirigiu durante a Segunda Guerra Mundial como combatente da Força Expedicionária Brasileira – motivo que despertou sua paixão pelo veículo.

Para ele, mais do que um meio de transporte, o Jeep simboliza as invenções que vieram por conta da necessidade da guerra e depois serviram para o uso civil em tempos de paz. “No Brasil, inclusive, a marca é sinônimo de pioneirismo. Foi uma das primeiras marcas a ser montada aqui. Primeiro, para uso militar e depois, para ajudar a levar o progresso para o interior do país. Além disso, está muito associado à ideia de liberdade porque pode levar qualquer pessoa a qualquer lugar. Na minha tese, o Jeep é o veículo mais rock’n’roll de todos.” Vindo de quem entende tanto de música quanto de Jeep, ninguém há de duvidar.


Texto: Patrícia Büll

Fotos: Divulgação

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