Elenco do espetáculo “Por Isso Que Eu Canto”

A música como ferramenta de transformação social de toda uma comunidade


Projeto social criado pela Fiat e hoje gerido pela própria comunidade, Árvore da Vida completa 15 anos com espetáculo que emocionou palco e plateia

04 de novembro de 2019 - Palco e plateia do tradicional Cine Theatro Brasil, em Belo Horizonte (MG, Brasil), foram tomados pela emoção na apresentação do espetáculo “Por Isso Que Eu Canto”, em comemoração aos 15 anos do Instituto Árvore da Vida (IAV), em 23 de outubro. Pungente, o musical foi, também, a celebração da vida e do potencial dos adolescentes que fazem parte do Árvore da Vida, projeto que nasceu em 2004, no Jardim Teresópolis, nos arredores do Polo Automotivo Fiat, em Betim (MG).

Numa parceria com o grupo de teatro Ponto de Partida, o espetáculo é sobre cada um dos adolescentes, é sobre estar juntos, sobre a potência que é existir de forma coletiva. Diretora artística do Ponto de Partida e do espetáculo, Regina Bertola explica que o repertório do musical - que traz canções como “A carta”, de Djavan e Gabriel O Pensador, “Baila Comigo”, de Rita Lee, e “Só Eu Sou Eu”, de Marcelo Jeneci - aponta para o fato de que cada um dos educandos do IAV é único, insubstituível e tem seu próprio caminho; mas esse caminho precisa ser percorrido com felicidade e a felicidade não é individual. “Quando se descobre isso, também se descobre um caminho para os desejos, para a expressão da própria voz, para o que se deseja individualmente e para todos”, detalha Regina. De acordo com a diretora, o que o Árvore da Vida faz é justamente isso: ajudar na descoberta da voz com propósito, com trabalho, com alegria, com beleza e com a força que a arte tem. “Eles têm uma voz e o propósito é que ocupem a cena e ganhem um papel de protagonista. Gente nasceu pra ser feliz. Foi pra isso”, convoca.

Bastidores do espetáculo “Por Isso Que Eu Canto”Espetáculo “Por Isso Que Eu Canto” foi marcado por ansiedade antes da estreia e muita emoção durante a apresentação

Os ensaios para o espetáculo duraram cerca de cinco meses, com o envolvimento de 41 adolescentes. “A gente se preparou muito e queria passar nossa energia para o público”, conta Medleing Lissa Souza, de 14 anos, aluna da oficina de canto coral desde 2016. Segundo ela, a apresentação superou as expectativas. “Foi incrível, aconteceu de uma forma muito melhor do que estávamos esperando e eu queria que repetisse, porque mesmo tentando aproveitar cada segundo da apresentação, minha sensação foi de que passou muito rápido”, avalia, emocionada. Pedro Ferreira, de 19 anos, integrante do Árvore desde 2010 e atualmente monitor de percussão, também participou do musical. “Foi maravilhoso. Era um dia esperado por todo mundo, todos ansiosos antes de subir no palco, mas os aplausos deram a sensação de dever cumprido depois de toda a preparação que tivemos”, contou.

Não há dúvidas de que a energia e a empolgação que partiram do palco chegaram à plateia. Para a convidada Brenda Silveira, jornalista e produtora cultural, “Por Isso Que Eu Canto” é um dos mais brasileiros espetáculos que já assistiu em 30 anos de produção cultural. “Quando o elenco entoou ‘O Homem Falou’, Gonzaguinha foi na veia. O teatro explodiu em alegria”, elucidou. Brenda diz ter saído de lá com uma semente de esperança no coração, com a certeza de que um Brasil feliz é, sim, possível.

“Se pudesse descrever uma palavra que resume essa noite é orgulho: orgulho desse projeto, da forma como o Árvore da Vida e a comunidade do Jardim Teresópolis cresceram juntos. É justamente essa parceria e cumplicidade que celebramos”, disse Fernão Silveira, diretor de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da FCA para a América Latina. Segundo Luciana Costa, coordenadora de Sustentabilidade da FCA para a América Latina, “o espetáculo foi um dia de alegria e celebração, com nossas famílias e a comunidade do Jardim Teresópolis. Saímos transformados”.

Veja alguns momentos do espetáculo no vídeo abaixo:


Árvore da Vida e de Sonhos

Criado em 2004 como projeto social da Fiat e independente desde 2017, seguindo um percurso de amadurecimento e protagonismo, o Instituto Árvore da Vida é hoje uma associação sem fins lucrativos composta e gerida por membros da própria comunidade. Desde seu surgimento, tem o objetivo de proporcionar oportunidades de desenvolvimento socioeconômico para a região por meio de atividades culturais (o espaço oferece oficinas de violão, percussão, canto coral e formação humana), de inserção no mercado de trabalho e de geração de renda. Por isso é Árvore da Vida.

Quando o Árvore começou, o então educando Lucas Souza tinha nove anos. Hoje, tem 24 e, desde 2013, é professor no programa. Ele também fez parte do elenco do espetáculo de 15 anos. O trabalho de educador começou como monitor de percussão e atualmente ele é responsável pelas aulas de violão (tem mais de 40 alunos, em seis turmas). “Tenho um sentimento de gratidão pela aposta que fizeram”, reconhece. Medleing também sonha em ser professora do IAV. Para ela, desde que começou, o projeto só melhora. “Não quero só aprender; quero fazer acontecer, ajudar meus colegas”, diz. O Árvore da Vida também é Árvore de Sonhos.

Jovens do Árvore da Vida se apresentam com Andrea BocelliEm 2011, os jovens do Árvore da Vida apresentaram-se com o tenor italiano Andrea Bocelli para um público de mais de 80 mil pessoas

Para Maiara Wenceslau, gerente de Projetos do IAV, “a música tem o poder transformador de trabalhar as capacidades mais sensíveis do indivíduo e potencializa a singularidade de cada um”. Com todo o trabalho desenvolvido, o Árvore da Vida acaba sendo um centro de referência para a comunidade, diz. E a autonomia alcançada com a transformação em organização sem fins lucrativos permite que a própria comunidade direcione as ações do programa.

Em 2019, são 680 participantes e o salto obtido no índice de aprovação escolar de alunos que participam do Árvore da Vida é um dos exemplos do sucesso do programa. O índice, que era de 71% em 2004, chegou a 96% em 2018. A mesma conquista foi percebida no que se refere à permanência na escola. Além disso, os adolescentes que participam ou participaram do programa têm 3,6 vezes mais chance de continuar a estudar e uma probabilidade 4,8 vezes maior de se formar num curso superior.

Segundo Luciana Costa, o mais importante nesses 15 anos foi a abertura de diálogo com a comunidade. “Faz parte da nossa política estarmos mais próximos das comunidades em que estamos inseridos e abrirmos o diálogo. É o que se espera de uma empresa que propõe resultados, excelência. Além disso, o grupo FCA acredita que o investimento em educação é uma prioridade. Nesse período, podemos falar não só de impacto na área de educação quanto em fortalecimento comunitário, empregabilidade e geração de renda. São muitos aprendizados envolvidos na parceria”, avalia.


Texto: Vanessa Costa

Fotos: Divulgação

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