Sign In

“Apoiar a cultura regional é respeitar as pessoas”


Há quatro anos instalada em Pernambuco, Jeep cria agenda cultural para apoiar e promover “uma das mais diversas e ricas” tradições do Brasil

04 de abril de 2019 - Não era mesmo possível que Goiana (PE) recebesse o Polo Automotivo Jeep, em 2015, sem que a vida em todo seu entorno começasse a se transformar, como já aconteceu com a educação e o meio ambiente. Localizada no limite entre a Região Metropolitana do Recife (área a qual foi agregada em janeiro de 2018) e a Zona da Mata Norte de Pernambuco, Goiana e outros municípios vizinhos tiveram seus patrimônios culturais valorizados: a Jeep criou uma agenda cultural para 2019 com o objetivo de se aproximar das tradições pernambucanas, apoiando manifestações regionais e eventos que integram o calendário oficial do Estado.

“Como cidadãos corporativos de Pernambuco, conhecemos bem a importância e o valor que a cultura popular tem para o Estado, uma das mais diversas e ricas do País”, diz Fernão Silveira, diretor de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da FCA para a América Latina. “Apoiar essas manifestações tem um significado importante para nós, porque não apenas demonstra nosso interesse maior por Pernambuco, mas nosso respeito pelas pessoas.”

Como não poderia deixar de ser, foi na cidade de Goiana, onde o Polo Automotivo Jeep está instalado, que a marca deu início a essa relação cultural. Lá tem se desenvolvido uma série de ações para a comunidade, como oficinas de gaita e rodas de conversa que debateram temas como as diferenças de expressões culturais da região, entre Caboclinhos, Tribos de Índio, Maracatus de Baque Solto e a Pretinhas do Congo, e questionaram a preservação da identidade cultural. A Jeep também patrocinou o projeto-escola, pensado com o objetivo de aproximar alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de Goiana da cultura local, proporcionando interação e aprendizado fora da sala de aula.

Professora da Escola Municipal Zilma Gemir Baracho, no bairro de Nova Goiana, Maria José Vasconcelos, de 45 anos, foi responsável por levar alunos do 5ª ano do Ensino Fundamental ao Sesc Ler Goiana, local que acolheu o projeto-escola, onde eles puderam aprender sobre a cultura da sua região de forma prática. “Muitos deles têm vizinhos que dançam o Caboclinho, por exemplo, mas não têm noção da importância dessa manifestação cultural”, diz. “Depois dessa experiência, eles conheceram melhor e passaram a dar mais valor à cultura de onde vivem.”


Ainda dentro das ações, 15 agremiações carnavalescas (um conjunto de pessoas que desfilam no Carnaval, geralmente, trajando uma mesma fantasia) dos municípios de Goiana, Itaquitinga e Itambé puderam participar de uma oficina de bordados com o artesão pernambucano Manoelzinho Salustiano. A partir dessa atividade, os grupos tiveram a oportunidade, por meio do seu próprio trabalho, de desfilar no Carnaval 2019 com novos estandartes. A oficina acabou resultando na exposição “Goyanna Terra Indígena”, exibida no Sesc Ler Goiana entre dezembro de 2018 e fevereiro deste ano.

Presidente da agremiação Leão de Fortaleza, Erivaldo Francisco de Oliveira, conhecido como “Peu do Maracatu”, afirmou que a oficina e a exposição fortaleceram o trabalho dos brincantes – integrantes das agremiações. “O estandarte é como se fosse a bandeira do nosso país. Então, estamos muito felizes com esse trabalho, que nos deu mais vontade de brincar o carnaval e mostrar para todos nossa arte”, conta. “Além disso, sem a oficina, muitos grupos não teriam uma nova bandeira devido ao alto custo de produção”, completa.

Em direção à capital de Pernambuco, a Jeep faz uma parada na Ilha de Itamaracá, Litoral Norte do Estado, para apreciar a ciranda, expressão cultural representada por uma dança em que um grande número de pessoas se dá as mãos e se movimenta de modo ritmado formando uma enorme roda. Símbolo da ciranda, Lia de Itamaracá foi quem despertou a dança para o mundo, levando a manifestação para países como França, Portugal e Alemanha.

Conhecida como a “Rainha da Ciranda” e portadora do título de Patrimônio Vivo da Cultura em Pernambuco, Lia, além de ter uma importância histórica por promover a ciranda ao redor do mundo, transcende o meio artístico e atua com relevância nas questões sociais. É que, em meio às dificuldades de se manter por falta de apoio público, ela tenta preservar a estrutura do Espaço Estrela de Lia, localizado em Itamaracá. Lá, a cirandeira, preocupada com a educação de jovens e adolescentes, costumava oferecer, entre outras atividades, oficinas de percussão, de cerâmica e de doces.

A relevância dessa grande artista chamou a atenção da Jeep, que, em comemoração aos seus 75 anos, completados em janeiro deste ano, fez a vida dela virar livro: “Lia de Itamaracá: 75 anos cirandando com resistência, sorrisos e simplicidade”. O patrocínio foi além da obra impressa e se transformou em uma exposição de fotos, realizada no Espaço SinsPire, localizado no Bairro do Recife. Idealizadora das ações, Maria Luciana Nunes destaca que Lia é a força da ciranda, levando, aonde quer que vá, parte da cultura popular de Pernambuco. “Lia é a força da renovação e do apoio social”.


Chegando ao Recife, um dos eventos mais importantes do carnaval pernambucano, o Galo da Madrugada, também conta com o apoio da Jeep. A marca assina a alegoria do Galo gigante, montada na Ponte Duarte Coelho, no centro da cidade, dias antes do Sábado de Zé Pereira – data em que o bloco sai às ruas. Grande representante da cultura de Pernambuco e um dos maiores motivos do vínculo emocional das pessoas com o carnaval, o Galo canta há mais de 40 anos e foi reconhecido como “O maior bloco do planeta” pelo Guiness Book quando reuniu 2,5 milhões de pessoas nas ruas do Recife em 1995.


Este ano, o símbolo da festa foi chamado de Galo Artesão. “A ideia é destacar a importância do ‘feito à mão’, habilidade muito importante para a nossa cultura, que é artesã por natureza”, explica o artista que assina o Galo da Madrugada 2019, Leopoldo Nóbrega. Além de dar destaque às questões manuais, o Galo também traz à tona a sustentabilidade. Isso porque, de acordo com Leopoldo, ele é feito com materiais de baixo impacto ambiental. “Também estamos aproximando o pólo de confecções das cidades de Caruaru e Toritama para que sejam utilizados pedaços de roupa para produzir a vestimenta do Galo”, explica, detalhando que a roupa forma uma manta estrelada e lembram cactos, como referência ao interior de Pernambuco.

Texto: Isabela Alves

Fotos: Divulgação

Histórias Relacionadas

"Eles precisam saber que podem chegar aonde querem. Eles precisam de pessoas que acreditem neles."

Read More

​Um Jeep (e uma guerra mundial) como elo entre pai e filho

Read More