Mulher folclórica brasileira

Jeep entra na dança dos 75 anos da “Rainha da Ciranda”


Livro, exposição e festa celebram o aniversário e a trajetória da cantora Lia de Itamaracá, Patrimônio Cultural Vivo de Pernambuco

6 de fevereiro de 2019 - Mulher imponente em seu um metro e oitenta, dedos compridos, voz forte e sorriso largo, Maria Madalena Correia do Nascimento transformou a ilha de Itamaracá, no litoral norte de Pernambuco, onde nasceu e cresceu, em seu sobrenome artístico. Virou “Lia de Itamaracá” ainda menina, aos 12 anos, quando começou a participar de rodas de ciranda. “Ciranda” é uma manifestação cultural marcada por uma dança em que as pessoas se dão as mãos e se movimentam de forma ritmada e harmônica formando um grande, enorme, círculo. “Perdi as contas de quantas vezes fui para a beira da praia de Jaguaribe cantar e dançar ciranda”, ela relembra. “Mas foi ali que me despertou o desejo de ser cirandeira.”

Seis décadas depois, Lia acumula outros nomes: “Rainha da Ciranda”, “maior cirandeira do Brasil”, “diva da música negra” e, desde 2005, “Patrimônio Vivo da Cultura” do Estado de Pernambuco. Em um trecho do livro, Lia conta como foi receber este último título: “Fui fazendo como sempre. Tenho muito amor por isso tudo. Não me canso, não desisto. Gosto da ciranda, amo a cultura. Se eu mereço esse tipo de homenagem quem sabe é o povo”. Depois de ter levado a cultura pernambucana para países como França, Alemanha, Portugal e Inglaterra, chegou a hora de registrar em livro sua história. “Lia de Itamaracá: 75 anos cirandando com resistência, sorrisos e simplicidade” foi produzido com o patrocínio da Jeep, que também apoiou a realização da exposição “Rainha da Ciranda”. A edição do do livro de 80 páginas que registra Lia em relatos e fotos (à venda pelo email producaoliadeitamaraca@gmail.com) é da editora SinsPire, cujo espaço (localizado na Rua da Guia, Bairro do Recife) abriga a exposição que segue aberta ao público até o dia 05 de março, terça feira de Carnaval.

“Nos 75 anos de vida de Lia, expressamos nosso reconhecimento ao papel essencial da arte para as pessoas e à acolhida que recebemos do povo pernambucano”, diz Fernão Silveira, diretor de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da FCA para América Latina. Para ele, incentivar a criação do livro, mais do que homenagear uma grande artista, é reconhecer a importância, a riqueza e a força da cultura popular da região onde o Polo Automotivo Jeep está instalado desde 2015.

Lia de Itamaracá

Curadora do livro e das comemorações em torno dos 75 anos de Lia de Itamaracá, Maria Luciana Nunes sempre foi apaixonada pela figura da Rainha da Ciranda e tinha o sonho de contribuir com sua história. “Foi quando tive a ideia de fazer um livro sobre a vida dela, a exposição e o aniversário no Recife. Aliás, foi a primeira vez que ela comemorou um novo ano de vida fora de Itamaracá”, diz, se referindo ao 12 de janeiro, aniversário da cantora.

Lia é a única, de uma família de 18 irmãos, que resolveu seguir o caminho artístico. “O dom que eu tenho foi Deus quem me deu. Na minha família, ninguém canta, ninguém dança. Só eu quis ser artista e sou. Eu sou Lia”, diz, feliz por sua trajetória. Embora cantar fosse tudo o que Lia sempre sonhou na vida, por 30 anos ela também trabalhou como merendeira na Escola Estadual de Jaguaribe, até se aposentar em 2010. “Claro que o trabalho de merendeira não me desonra, mas a música sempre foi o meu sonho”, conta.

 Lia de Itamaracá, que autografa um livro

Entre vestidos utilizados em shows, quadros e objetos pessoais - como a caixinha de cartas -, retirados da casa de Lia para dar vida à exposição, Luciana destaca a força da cirandeira. “Tivemos uma colaboração enorme para realizar tudo isso. Fizemos parcerias com diversos artistas e com a Jeep, que já tinha esse olhar muito cuidadoso com Lia e queria incentivar e preservar a cultura de Pernambuco”.

Embora descreva o processo de criação do próprio livro como “fácil”, Lia de Itamaracá revela que nunca tinha passado por sua cabeça ter a vida escrita, mas diz estar feliz com o resultado, o qual ela chama de “grande momento” de uma longa biografia. “Diante de tanta resistência para manter a ciranda de pé, é muito importante me sentir valorizada. Tudo isso foi feito por amor à Lia e à cultura popular”, diz, usando a terceira pessoa para falar de si. Aos artistas regionais, Lia dá um recado: “Se querem resistir e levar a ciranda ao mundo, não desistam. Mais tarde, prosperará. A tristeza não pode com quem é contente”.


Texto: Isabela Alves

Fotos: Alfeu Tavares (topo) e Henrique Lima

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