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Trabalhador que trabalha com poliestireno

​Duas décadas de reciclagem de isopor


Na Ilha Ecológica do Polo Automotivo Fiat, em Minas Gerais, 100% do poliestireno que chega até a fábrica é reaproveitado

08 de janeiro de 2017 - Não haviam se passado mais de quatro anos desde a conferência internacional Eco-92 no Rio de Janeiro quando, em 1996, a FCA assumiu a missão de criar seu próprio sistema de reciclagem de isopor. Sua Ilha Ecológica havia sido inaugurada dois anos antes e agora o Polo Automotivo Fiat, em Betim, Minas Gerais, se tornaria a primeira fábrica de automóveis no Brasil a desenvolver a tecnologia.

Levíssimo, resistente e barato, o isopor é um dos materiais mais usados como embalagens de produtos de todos os tipos, desde os mais tecnológicos, como componentes eletrônicos ou motores, até os mais simples, como cupcakes de padaria. No Polo Automotivo Fiat o isopor também foi a solução para transportar os motores e outros componentes dos veículos, especialmente os mais delicados.

Descoberto na Alemanha em 1949, o poliestireno expandido é mesmo um material “mágico”, mas tem um problema que se torna especialmente grave quanto maior o uso: seu descarte. Imagine quanto espaço as estruturas de isopor ocupam numa fábrica como a da Fiat, que é a maior da FCA no mundo. Escoar toda essa montanha de isopor seria trabalho para centenas de caminhões, rumo aos aterros (que, aliás, é exatamente o que acontece quando não é reciclado). Mas o que, afinal, é o isopor e como seria possível reciclá-lo? De fato, trata-se de uma espuma semirrígida de plástico. Para ser mais exato, ela tem incríveis 98% de ar e só 2% de plástico. Opa: mas plástico é um dos materiais mais recicláveis do planeta, certo? Em termos: Há vários tipos de plástico, mas o poliestireno, felizmente, é um dos que podem ser reciclados.

Veja na animação abaixo [em português] o processo criado pela FCA e surpreenda-se:

Até que parece fácil, não é? Triturar tudo, aglutinar, derreter, transformar em fios de plástico e cortar em pedacinhos pequenos que caibam em sacos de 20 quilos que ocupam pouco espaço e são facilmente transportados. A tecnologia consegue reduzir o volume do material em 50 vezes, e os grãos de plástico são enviados a uma empresa de reciclagem onde viram matéria-prima para fabricação de canetas, réguas, capas de CD, saltos de sapatos e outros produtos. Isso significa 100% de reciclagem, e sem nenhuma transformação química! (Na verdade, tudo o que o processo faz é retirar todo aquele ar do material)

Os números impressionam: por mês, nada menos que seis toneladas de isopor são transformadas em matéria-prima. Desde o início da reciclagem, a Fiat deixou de fazer cerca de nove mil viagens de caminhão para a destinação correta desse resíduo. O processo evita a emissão de 2.642 toneladas de CO2 na atmosfera por ano.

Se todo o isopor reciclado nos últimos 5 anos pela Fiat fosse disposto em fila, preencheria toda a distância entre as duas maiores cidades brasileiras, São Paulo e o Rio de Janeiro. A reciclagem é parte do programa Aterro Zero da FCA, que desde 2011 consegue destinar 100% dos resíduos que gera para a reciclagem, reutilização e recuperação, eliminando o envio para aterros.

Resíduos de poliestireno

Texto: Daniel Schneider

Fotos: Divulgação

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