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8 dicas para manter a serenidade no trânsito


No Maio Amarelo, saiba como cuidar da segurança da sua saúde emocional nas ruas cada vez mais estressantes das grandes cidades

20 de maio de 2019 - Trânsito parado. Sinfonia de buzinas. Pedestres e motoristas com os nervos à flor da pele. É um cenário rotineiro nas grandes cidades que se espalharam da famigerada “hora do rush” para uma surpresa desagradável que pode te pegar em qualquer esquina. Em pleno Maio Amarelo, o movimento brasileiro para conscientização da segurança do trânsito, a serenidade no trânsito não pode ser deixada de lado.

A psicóloga Tatiane Dias Bacelar, especialista em Psicologia do Trânsito, explica que essas experiências podem ser consideradas “eventos estressores”, com a capacidade de agravar transtornos como depressão e ansiedade, mesmo que não sejam a causa deles. “Mesmo uma pessoa sem transtornos diagnosticados pode apresentar sintomas ansiosos nesse contexto”, explica. A exceção é quem trabalha com trânsito, como motoristas de aplicativos e taxistas: nesses casos, as situações estressantes no trânsito podem desencadear distúrbios.

Pensando nisso, reunimos oito dicas de como manter a serenidade no trânsito. Enquanto aquele futuro com carros totalmente autônomos não chega o jeito é adotar medidas para minimizar a angústia nas vias urbanas. Vamos a elas?


1. Não negligencie sua saúde mental

A tranquilidade no trânsito está muito além desse espaço, e os problemas de ansiedade, angústia e inquietação podem ter raízes profundas. A saúde mental, de acordo com Tatiane, depende de fatores hereditários, da formação de cada pessoa e do contexto em que ela está inserida. “O mais importante é prestar atenção no autocontrole, ou seja, na sua capacidade de se perceber e gerir os próprios comportamentos”, comenta. Assim, se você sabe racionalmente que precisa agir de uma maneira — como não mexer no celular enquanto dirige — e não consegue, há um problema.

Alguns casos precisam ser examinados com atenção, como quando uma pessoa se sente muito angustiada no trânsito mesmo já passada a fase de adaptação. “A tensão tendo pouco tempo de carteira de habilitação ou se acostumando ao carro novo, por exemplo, é normal”, explica, “mas se esse desconforto persistir, é preciso fazer um acompanhamento com profissionais”.


2. Cuidar do corpo também é cuidar da mente

Bacelar explica que um corpo saudável, que recebe uma alimentação equilibrada e se movimenta, está mais apto a lidar com eventos estressores. “Quando alguém come mal e não faz atividades físicas, esse evento toma proporções maiores, porque o corpo já está debilitado”. Enfrentar longos períodos de congestionamento no trânsito causa desconforto físico, que agrava o incômodo com a situação como um todo. Por isso, cuidar do corpo também é escolher roupas e calçados confortáveis para dirigir, que não apertem ou machuquem.


3. Planeje sua rotina

Uma rotina organizada tem menos tendência a sobrecarregar a saúde mental. Atrasos só aumentam a sensação de frustração e insatisfação com o trânsito, mas muitas vezes, como alerta a psicóloga, a realidade é que é impossível percorrer alguns trajetos no tempo que queremos. “Nós precisamos ter a clareza de que não damos conta de tudo. Temos que definir o que é prioridade”, diz.

A especialista cita uma sensação que provavelmente você já experimentou e que se relaciona com essa sobrecarga: “Se a gente tem várias coisas pra fazer e não define o que é mais urgente, chega ao final da semana sem ter feito nem o que era obrigação, nem aquilo que representava o lazer”. Assumir nossas limitações e fazer escolhas é uma a chave importante para o bem-estar.


4. Entenda o que te incomoda no trânsito

Bacelar acredita que o autoentendimento na situação do trânsito é essencial para que a experiência seja menos estressante. “E isso é muito individual, não há uma fórmula”, explica, lembrando que há quem fique agitado dirigindo com música alta e há quem se sinta inspirado. “Se um carro cheio, com muitas pessoas conversando, incomoda quem dirige, é importante notar isso e colocar limites para os passageiros”, comenta. A prioridade deve ser o bem-estar de quem está com as mãos no volante.


5. Crie um ambiente confortável dentro do carro

Entendendo o que incomoda, é possível criar um ambiente mais confortável e acolhedor dentro do carro, que vai deixar a experiência mais agradável. Às vezes o conforto pode vir com uma música que tem valor afetivo, ou com uma garrafinha de água fresca à disposição. Para algumas pessoas, ouvir podcasts sobre um assunto de interesse pode ajudar o tempo a passar com mais leveza. É recomendado evitar temas muito densos ou que trazem indignação. “Senão, a pessoa deixa de ficar informada e passa a ficar estressada”, brinca a psicóloga. O mesmo vale para uma música agitada, que estimula o sistema nervoso central: “quando você não pode dar resposta adequada àquele estímulo, como pisar no acelerador, a sensação de frustração é imediata”.


6. Nada de dirigir com fome ou sono

Tatiane alerta que a fome e o sono aumentam nossa propensão à irritabilidade, e uma situação pequena no trânsito pode ser encarada com uma “lente de aumento”. Por isso, para o primeiro problema, vale a pena ter sempre no carro uma barrinha de cereais ou algum petisco mais rápido.

Quanto ao sono, a especialista é enfática ao apontar que diminui muito nossa capacidade de reflexos e coloca em risco a segurança. “Se você está em um dia de muito cansaço, é preferível optar pelo transporte público, recorrer a um aplicativo ou pegar uma carona”, defende. Ela acrescenta que as corridas compartilhadas oferecem valores vantajosos.


7. Lide com o momento e idealize menos

Para manter a serenidade do trânsito, é importante entender que por mais que haja recursos para deixar a experiência mais tranquila, há vários fatores que não podemos controlar. Para isso, é preciso idealizar menos a situação, lidando com a realidade que se apresenta. “A situação ideal não faz parte do que é humano, e fugir da idealização evita frustração”, comenta.

De tanto reclamar da situação, há quem nem mais perceba a beleza do entorno de um trajeto, como aquele pôr do sol incrível no retorno para a casa. Isso não significa deixar de notar os problemas, “mas que o enfoque não deve ser no problema, e sim nas possibilidades”, sugere. Criar as próprias estratégias para lidar com o trânsito também é importante para quem não está na posição de motorista. Ter um livro interessante à mão quando o ônibus está parado, por exemplo, faz toda a diferença.


8. Não use o carro como armadura

“Em um contexto em que as pessoas estão acorrentadas pelas redes sociais e as relações são virtuais, passamos a ter dificuldade com as relações reais”, pondera a psicóloga. Essa barreira da convivência é um dos fatores que contribuem para a hostilidade das pessoas no trânsito, com xingamentos muitas vezes gratuitos.

Tatiane considera que comumente o carro é usado como uma armadura. “Muitas vezes, o comportamento no trânsito dá vazão à irritabilidade não expressa no trabalho ou na relação com a família”, comenta. Com a armadura, o indivíduo se sente protegido e autorizado para fazer valer a “regra de olho por olho, dente por dente”. O resultado dessa queda de braço não beneficia ninguém: se a nossa saúde mental responde ao trânsito, nosso trânsito também responde à nossa saúde mental.


Texto: Bárbara Caldeira

Arte: Fabrício Moura


Este conteúdo faz parte da participação do site FCA Latam Stories no Maio Amarelo de 2019. O Maio Amarelo é um movimento global entre governos, entidades de classe, empresas e sociedade civil, para chamar a atenção para a importância da segurança no trânsito. Confira os outros conteúdos aqui e aqui.

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