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O 500 da "Velhinha"

A "velhinha" do Fiat 500: sem idade para correr


Conheça a história da professora aposentada Yara Loeffler que, aos 70 anos, realizou o sonho de voar baixo com o seu amado Fiat 500

23 de outubro de 2019 - Sentados à mesa na ceia de Natal do ano passado, Gustavo, Max e Bruno Loeffler não tinham ideia do que a mãe estava prestes a dizer: “ano que vem completo 70 anos e resolvi que, para comemorar, vou saltar de paraquedas ou participar de uma corrida em um autódromo”, soltou dona Yara. O espanto inicial foi logo substituído pelo bom humor, característico da família. “’Velhinha’, vai tomar seu remédio!”, brincou um dos filhos.

Mas quem não estava de brincadeira era a dona Yara, que continuou firme no propósito de comemorar o seu aniversário, em 4 de junho, com alguma atividade radical. Sentindo que a conversa era séria, os irmãos começaram a apoiar o plano da corrida em um autódromo. “Em maio, soubemos que haveria uma nova edição do Friends Track Day, no autódromo de Curitiba (PR), cidade onde minha mãe mora. Por ser um ambiente controlado, e até mesmo para testar se ela estava falando sério, fizemos a inscrição mas mantivemos segredo até o aniversário dela”, conta Gustavo.

Aberto ao público em geral, o evento é voltado para entusiastas, sob supervisão das federações de automobilismo, que estabelecem algumas regras. O evento do qual dona Yara participaria seria composto por quatro baterias de 1h30, sem cronometragem ou premiação e os inscritos deveriam participar com seus próprios carros. Agora, o encontro de Yara com a pista de corrida tinha data marcada: 7 de julho. No seu aniversário, foi surpreendida pelos filhos com a notícia de que, em pouco mais de um mês, deveria estar pronta para correr! “Por um tempo, ela não tocou no assunto e chegamos a pensar que ia desistir, mas fomos surpreendidos outra vez quando percebemos que ela estava vendo vídeos de corridas nossas e de outras edições do Track Day. Sim, a ‘velhinha’ estava estudando”, diverte-se Gustavo.


Aventura no DNA

“Eu sempre gostei muito de velocidade, mas entrar em uma pista nunca tinha me passado pela cabeça”, revela Yara, que reconhece a influência exercida pelos filhos, todos apaixonados por automobilismo. Além de corredores, dois deles, Gustavo e Max, trabalham no ramo.

No sábado anterior à corrida, Yara foi até o local da vistoria obrigatória para validar sua inscrição. Pessoas que estavam por lá olhavam com curiosidade para aquela senhora sorridente e determinada. “Talvez elas tenham achado engraçado, mas não me importei. Não tenho medo das coisas. Já andei de camelo, elefante e até de balão! Tenho espírito aventureiro”, arremata Yara que, recentemente, esteve com as amigas em Fernando de Noronha.


E o carro?

Yara admite que não tinha ideia de como seria sua performance na corrida, mas jamais teve dúvidas de qual carro usaria para encarar as pistas: seu bom e fiel Fiat 500. A aquisição do automóvel rende outra boa história. Antes dele, Yara circulava pelas ruas de Curitiba em uma caminhonete que havia sido do seu marido, já falecido.

O peso das lembranças trazidas por esse carro e a vontade de guiar um modelo mais compacto fizeram com que Yara se apaixonasse pelo Fiat 500. Como o gosto pela surpresa é um traço forte da família Loeffler, a compra do veículo também se deu de forma inusitada. “Sabíamos que ela gostava do 500, por isso, começamos a procurar algum que estivesse em bom estado. Depois de algum tempo buscando, encontramos um branco, ano 12/13, com teto solar, do jeito que ela queria”, detalha Gustavo.

O carro estava na concessionária de um amigo da família. Um dia, com a desculpa de almoçar com a mãe em um local próximo, Bruno estacionou no pátio da loja. Enquanto conversavam sobre outros assuntos, Yara observava com curiosidade o 500 parado bem próximo sem desconfiar que o carro já era dela, até que ouviu: “Gostou deste carro, mãe? Então toma aqui a chave!”

Bruno também ajudou a caracterizar o carro para a corrida. Além de desenhar uma jaqueta exclusiva para a mãe corredora, ele preparou o kit de adesivos para as laterais do veículo. Bem-humorado, ele criou uma “lista de compras” estilizada utilizando marcas famosas do mundo do automobilismo. Para arrematar, os filhos adquiriram um jogo de rodas aro 16 do 500 Sport, do jeito que ela queria. O carrinho estava pronto! Mas e a “velhinha”?

Dona Yara e o carrinhoRepare bem nos adesivos das marcas famosas e leia de novo...

Dia D

“Até o dia da inscrição, eu estava tranquila, mas, no dia da corrida, fiquei um pouco nervosa. Meu receio maior era atrapalhar os outros corredores e, claro, bater em alguém”, conta Yara. Com a autorização da organização do evento, o filho Gustavo deu algumas voltas na pista, com a mãe no banco do passageiro. Ele mostrou como usar as marchas e como percorrer o traçado do circuito da melhor forma.

De volta aos boxes, Yara anunciou que dali em diante seguiria sozinha. “Nessa hora deu medo”, confessa Gustavo. Zelosa, Yara não pisou fundo logo de cara. A professora parecia estudar a pista, tentando encontrar a melhor forma de desbravar o asfalto com o seu Fiat 500. Mas a cada passada pela reta dos boxes, a “velhinha” vinha cada vez mais rápido. Ao final de 8 voltas, ela já tinha adquirido confiança e levava ao limite o motor 1.4 do carrinho. “Tinha um Corsa 1.0 na minha frente e eu não tive dúvidas, ultrapassei mesmo!”, recorda Yara.

No final do evento, várias pessoas foram para os boxes cumprimentá-la. Yara e seu Fiat 500 já tinham atingido o status de celebridades. Amigos, parentes e muitas mulheres presentes no autódromo fizeram questão de tirar fotos com a nova ás do volante. “Fui professora do ensino fundamental durante 26 anos. Atribuo essa minha vontade de viver e de fazer as coisas com determinação a essa convivência de tantos anos com crianças e jovens em sala de aula”, revela.

Em tempo: veja nesta outra história as ações da FCA para transformar a educação.

Yara e o filho GustavoNas primeiras voltas, Yara seguiu os conselhos do filho Gustavo. Depois, colocou ele para fora e se mandou.

E o futuro?

Yara ainda não tem em mente qual será a aventura para comemorar seus 71 anos, em 2020. “Vamos ver o que acontece, ainda tenho um tempo para decidir”, desconversa. Mas indícios apontam que uma volta às pistas não está descartada. “Dias atrás, vi ela ‘namorando’ anúncios de um Fiat 500 Abarth. Essa ‘velhinha’ é doida!”, finaliza Gustavo.


Texto: Roberto Ângelo

Fotos: Juca Lodetti

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